Um dilema quase ético
O teste do elevador
Uma pequena infração, dois elevadores e a satisfação de ter escolhido certo.

Estou aqui no subsolo do hospital, 21h. Ninguém em volta, ambiente silencioso, e me deparo com esse dilema ético.
Será que cruzo essa linha? Ninguém vai ver.
Confesso que fiquei tentado. Olhei com calma. Estava ali, disponível.
O mais fácil e rápido é pegar esse atalho. Não vai machucar ninguém. Vai facilitar minha vida.
Nesse momento, eu me questionei seriamente.
Acho que, azar, vou fazer o fácil.
Até porque ninguém verá. Não vai mudar nada. É o mais fácil frente à escolha matemática que terei que seguir.
Não consegui.
Fracassei.
Olhei com calma as duas opções:
Opção 1: elevador no 4º andar, parado.
Opção 2: elevador no 3º andar, subindo.
Pensei: minha matemática é rápida, sempre foi um diferencial.
Subindo no 3º, pode ir até o 6º. No 4º, parado, desce direto. É isso!?
Apertei o elevador 1.
Pronto. Vi que o outro elevador foi até o 7º andar, enquanto o meu já estava chegando.
Sucesso total.
Acertei na ética e na lógica.
Essas escolhas difíceis mexem comigo. Quebrar a regra e chamar todos os elevadores. Chamar para subir e descer quando eu quero subir.
Mas não quebro essa regra. Confesso que, por vezes, a flexibilizo quando a urgência é muito grande.
E não tem sensação mais satisfatória do que quando quem quebra a regra entra no elevador e diz:
— Vai subir?
— Ah, que pena. Vou descer.
Pois então agora vai demorar mais tempo, apressadinho.
E essa punição sempre acontece.
É como trocar para a fila mais rápida.
A famosa Lei de Murphy, como diria meu pai. Ou Lady Murphy, como a propaganda fez.
Saí tranquilo.
Passei no teste do elevador.
Que venham os próximos.
Acertei na ética e na lógica.
Entre a crônica e você
Algo ficou com você?
Não precisa ser uma análise ou uma mensagem elaborada. Pode ser uma lembrança, uma discordância ou apenas uma frase. Uma linha já basta.
Me conte o que ficou Eu leio pessoalmente todas as mensagens. Você não precisa se identificar.
↗