O poder de uma desculpa
O trânsito de sexta-feira
Duas barbeiragens, duas desculpas e uma raiva que não conseguiu durar.

Na sexta-feira, está todo mundo mais ouriçado no trânsito. Está uma bagunça, uma confusão, né? Todo mundo com pressa para chegar em casa, liberado para o final de semana, aquela velha algazarra de correr para casa, andar depressa, como eu já falei em outro momento.
E eu vejo que até eu fico um pouco mais estressado, embora meu trânsito seja de cinco minutos, porque sou abençoado em relação à localização. Mas o estresse pega todo mundo. Contagiante. Impressionante.
Nesse caos, eu também percebi como a desculpa tem poder. Indo para casa do trabalho, em cinco quadras, dois carros fizeram coisas erradas no trânsito. Agora eu entendo esse estresse todo dos outros: eles têm quilômetros pela frente.
Primeiro, um carro parou depois do sinal. Quando o meu sinal abriu, ele atravessou direto, cortando a minha frente, pronto para ser atingido por um apressadinho que estava ansioso esperando o verde. O que ele fez? Abriu a janela:
— Desculpa, desculpa, desculpa — disse para mim.
A diferença disso foi absurda.
Depois, outro carro estava ultrapassando pelo lado que não podia e precisou entrar, cortando a minha frente e pedindo um engavetamento. Ligou o pisca-alerta para se desculpar.
Nas duas situações, minha primeira sensação foi de raiva, culpando-os pela displicência com que dirigiam. No fim, as desculpas me fizeram ter empatia. Afinal, quem nunca errou no trânsito?
Falando em desculpa, quero dizer aquela sincera.
Não aquela da criança que, quando a gente a pega com uma balinha a mais do que deveria, nos olha pelo cantinho do olho e fala:
— Desculpa, pai.
Até ela já aprendeu o poder de influência e empatia de uma desculpa “sincera”.
Agora, escrevendo: será que ele me cortou de propósito e já pediu desculpas, tudo friamente calculado? Aprendeu com meus filhos, mas deu certo.
Como somos influenciados pelo que acontece ao nosso redor. Entrei no trânsito e fui imediatamente influenciado a me estressar e acelerar.
Uma simples desculpa, o reconhecimento do erro, me encheu de empatia e me acalmou.
Aquele motorista estava ali errando sem querer, arrependido na hora. Tadinho. Poderia ser eu. Às vezes sou mesmo. Acontece.
Agora, dirijo devagar pela esquerda, curtindo as buzinas que o pessoal dá para me cumprimentar. Alguns até passam gritando pela direita depois.
Que gente simpática nesse trânsito agitado.
Uma simples desculpa, o reconhecimento do erro, me encheu de empatia e me acalmou.
Entre a crônica e você
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