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Crônica 154 min de leitura

Uma investigação no hotel

Amigo de quem?

Um grupo impossível de ignorar e uma investigação silenciosa sobre quem realmente pertencia a ele.

Ilustração de um homem chegando de braços abertos para uma fotografia de um grande grupo de amigos em um hotel.
Ilustração original para Amigo de quem?

No hotel em que eu estava, havia um grupo peculiar e fácil de encontrar. Um grupo grande, acho que deveriam ser uns cinco ou seis casais com filhos. Era impossível identificar de quem eram os filhos e quantos eram irmãos, exceto na hora em que um pai gritava para o filho parar de implicar com o outro.

Um grupo volumoso em tamanho e volume. Falavam bastante. Às vezes estavam separados no hotel: uns almoçando, uns na piscina e outros em outro canto, mas poucas vezes estavam todos juntos. Era visível que alguns tinham mais afinidade. Uns dois amigos ficaram bebendo sozinhos por um longo período e conversando.

Impossível não chamar a atenção e a curiosidade. E, nesse momento, as maiores curiosidades: de onde são? O que fazem? Do que se alimentam?

Será que é um grupo de amigos com as mulheres ou um grupo de amigas com os maridos? Eu e minha mulher achamos que as mulheres são o baluarte do grupo. Afinal, aparentam ter a mesma idade, não ficam em grupos separados e parecem agir mais naturalmente.

Nesse tipo de grupo sempre tem aquele que parece presente em todas as rodas. Sempre que olho o grupo junto ou separado, o cara tá no meio e falando alto. Esse está em todos os momentos. Algumas vezes ele é o mais legal; em outras, o mais chato. Faz parte de quem está sempre.

Tem momentos em que todos estão juntos; outras vezes, separados em grupos menores. Aqui estão todos os homens na piscina conversando, mas espera um pouco: tem um que está dentro da piscina com os filhos. Não foi em nenhum momento com o grupo. Pensando bem, em outra hora em que estavam todos bebendo no corredor, ele estava no café.

No fim de tarde, ficam todos no corredor, que já é o canto deles, com as crianças brincando na volta. O pessoal do hotel chega a desviar para não passar por ali. Aquele mais animado do grupo sempre fala:

— Hoje quem paga o vinho é o Fulano?

— Êêê! — respondem todos.

É uma festa grande, uma alegria contagiante. Milhares de assuntos a todo momento. O falante permanece de pé, no meio de todos os assuntos. Aquele que pouco aparece está sentado em um canto, separado, mexendo no celular.

Tem um pequeno grupo conversando sobre como foi morar em São Paulo:

— Tu viajavas no sábado e voltavas na segunda? Como foi? — pergunta um curioso.

Assunto que foge da trivialidade de sempre. Nesse tipo de assunto, o amigo falante não estava...

Novamente, todos reunidos para uma foto, a foto pessoal. E olha quem chega nesse momento: aquele separado. Até fisicamente ele é diferente. Parece de outro grupo. Até a roupa é diferente: se todos estão com roupa de academia, ele está de camisa; se todos estão arrumados, ele está com roupa de piscina, sem muito ânimo.

Foram tirar a foto e, quando ele chegou, deu um griteiro:

— Obaaa! Ele veio!

Parece até que gritaram o nome dele em coro...

Ele, agora sim animado, levanta os braços e clama os louros no centro do grupo.

Ele, agora sim animado, levanta os braços e clama os louros no centro do grupo.
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